Com o arranque definitivo em 1998, a Tintex percorreu os últimos 20 anos nas asas da inovação e da sustentabilidade. As próximas duas décadas deverão manter a tónica na inovação responsável, mas sempre com as portas abertas para o mundo, incluindo novos projetos de I&D e uma loja online.

«A Tintex nasceu para fazer produtos diferenciados», afirma o CEO Mário Jorge Silva, e foi assim que cresceu. Primeiro, com o acabamento de malhas com uma fibra que estava na altura a dar os primeiros passos, o liocel, em 2000, depois com a incursão em diversas fibras consideradas mais sustentáveis (ver A revolução das malhas nacionais), como a fibra de milho, soja e bambu e, mais recentemente, com a certificação para o algodão orgânico. Pelo caminho, a Tintex procurou ser mais do que uma especialista em enobrecimento têxtil e converteu-se numa empresa que vende malha acabada, com coleções próprias para a área da moda, mas também com artigos pensados para têxteis técnicos, que já arrecadaram prémios (ver Tintex soma prémios em Munique).»

«Há 20 anos, esperava muitos possíveis caminhos, mas não esperava estar neste caminho tão técnico e, felizmente, tão na ribalta. Temos que ter orgulho em dizer que estamos entre os melhores a nível europeu», assume Mário Jorge Silva.


A geração que se segue

A inovação tem pautado este percurso, assim como o investimento em novas tecnologias (que nos últimos três anos ascendeu a 7 milhões de euros), como a linha de mercerizados e de revestimento, esta última «única no mundo, porque enquadra um novo tipo de revestimento de base aquosa com malhas», revela Ricardo Silva, a segunda geração envolvida na administração da Tintex. Embora os têxteis técnicos sejam o mercado natural para esta tecnologia, a moda está a ser atraída pelas possibilidades conferidas por este tipo de revestimento. «Temos projetos com diferentes marcas e clientes no desenvolvimento de materiais completamente distintos. Não é um mercado inato, é um mercado que temos estado a explorar, sempre em conjunto com a marca, para aportar um valor diferente ao consumidor», explica Ricardo Silva ao Portugal Têxtil. «Podemos estar a falar de casacos externos ou de leggings, mas são materiais que não existem ainda. Usamos materiais naturais com revestimentos por cima – pode ser elástico, repelente à água, ao vento,… – conferindo sempre alguma propriedade técnica e estética diferenciada», adianta.

 

Na Tintex, onde trabalham 126 pessoas, existe um núcleo de investigação e desenvolvimento, criado este ano, e um grupo de 12 pessoas está dedicado à inovação, não só a curto prazo mas também a médio e longo prazo. «São pessoas que não produzem, mas são pessoas que trazem, na minha opinião, maior valor de futuro», acredita o administrador.

 

 

 

 


I&D em parceria

Nos projetos de I&D em curso estão o PICASSO, para o desenvolvimento de processos de tingimento naturais, através de plantas ou cogumelos, cujos resultados devem chegar ao mercado para o ano, um projeto de desenvolvimento de couro vegan, que está a ser liderado pela Têxteis Penedo e junta ainda a Sedacor, o CeNTI, o Citeve e o CTIC – Centro Tecnológico das Indústrias do Couro, e um outro que envolve a plataforma Fibrenamics e pretende criar materiais responsivos a estímulos da natureza. «Com os projetos em que estamos envolvidos e contando com três outros para os quais submetemos uma candidatura, temos um envolvimento, em termos de investimento, de mais de 2 milhões de euros», adianta Mário Jorge Silva ao Portugal Têxtil.


A par com a inovação, a Tintex tem sido reconhecida como uma empresa empenhada na sustentabilidade, tendo sido convidada para o projeto “Make fashion circular” liderado pela Fundação Ellen MacArthur. «É um projeto de escala mundial, que envolve marcas, retalhistas, produtores de materiais como nós, em que o objetivo é haver várias visões individualmente mas que se juntam de maneira a conseguir fazer a moda circular», esclarece Ricardo Silva. «Somos a única empresa portuguesa e somos, pelo menos até agora, a única empresa produtora de malhas a fazer parte do grupo a nível mundial», sublinha Mário Jorge Silva.


Uma tricotagem chamada Hata

Com uma capacidade de entrega de produto final de 100 toneladas/mês, a Tintex tem agora ainda como parceira a Hata, uma empresa de tricotagem fundada por Mário Jorge Silva, que segue a mesma linha de funcionamento. «O objetivo da Hata não está no volume, está na diferenciação tecnológica», reconhece Ricardo Silva. «A intenção da Hata é produzir malhas diferentes, malhas com jogos muito finos, que não existem no mercado português, e, além disso, também ajudar a responder muito rapidamente no desenvolvimento de amostras», elucida, por seu lado, Mário Jorge Silva ao Portugal Têxtil.

Com o objetivo de crescer 20% ao ano até 2020 e a perspetiva de terminar 2018 com um volume de negócios de 13 milhões de euros, o futuro imediato da Tintex passa ainda pela comunicação (ver Tintex: inovação de dentro para fora), onde tem feito um forte investimento, nomeadamente em feiras internacionais e no branding junto dos clientes, e por um marketplace online, que deverá ser lançado em setembro, para «dar uma resposta diferente ao consumidor, aos jovens designers, a marcas mais jovens. Queremos dar resposta ao maior número de pessoas possível», admite Ricardo Silva. Quanto ao longo prazo, a certeza é que o caminho iniciado em 1998 deverá prosseguir nos próximos anos. «Vamos ter sempre este foco, não sabemos como é que o mercado global se vai adaptar, mas vamos ter sempre inovação responsável. Inovação ao mais alto nível, sempre à frente, queremos influenciar cada vez mais os projetos, trabalhar com os nossos principais clientes. O nosso posicionamento, onde eu vejo a Tintex nos próximos anos, três, dez, vinte anos, é como parceiro ideal de quem quer fazer sempre melhor», assegura o administrador.